Um triste fato ocorreu hoje na Cidade de Monte Santo, acontecimento que envolveu o maior símbolo da História de Monte Santo, o Monumento da Guerra de Canudos, situado na praça principal Monsenhor Berenguer, especialmente a famosa estátua de Antonio Conselheiro feita em madeira e que ostenta a Praça principal há muitos anos.

Segundo as primeiras informações, quatro adolescentes de idades entre 11 e 15 anos subiram na estátua de Antônio Conselheiro para fazer um "selfie" e a estrutura não suportou o peso dos jovens e veio a rachar e tombar ao solo, deixando um triste quadro na famosa Praça Monsenhor Berenguer. Segundo informações da Guarda Municipal, os jovens foram identificados e encaminhados juntamente com os pais para a Delegacia de Polícia para fins de registro do necessário Boletim de Ocorrência com envolvimento de ações contra o Patrimônio Público e Histórico do Município. 
Observa-se pelas imagens que apesar da ação dos jovens a estrutura de mais de um século, não passou por nenhum reparo durante todos estes anos e a madeira aparentemente estava podre pela ação do tempo, além de ter sofrido ataque de cupins e por não ter havido a necessária manutenção, veio a ceder com o peso, com o que não contavam os jovens que teriam corrido o risco de causar uma verdadeira tragédia caso a estátua tivesse caído sobre eles, valendo dizer que foi uma sorte aquela enorme estrutura que tem um peso considerável não tê-los e nem causado fato mais grave aos demais moradores ou até aos milhares de turistas que visitaram recentemente a Cidade por ocasião da Tradicional Festa de Todos os Santos, já que é comum que os turistas cheguem até sua base para posar para fotos durante as visitas a esta Cidade.
Há que deixar registrado aqui, também, a falta de uma fiscalização que deveria garantir a segurança dos turistas e ações para coibir vandalismo ou qualquer outra ação humana com relação a depredação e uso indevido de bens do Patrimônio Histórico e Cultural do Município, a pergunta que fica é até quando vão demorar para restaurar a estátua de Antônio Conselheiro?

Não é de hoje que a atual Gestão e a Secretaria de Educação e Cultura vem negligenciando a atenção no tocante ao Patrimônio Histórico e Cultural da cidade. Quem não se lembra da Estrutura do Salão do Centro de Lazer (Casa de Vidro) que desabou horas antes de uma cerimônia de casamento e quase causou uma tragédia no ano passado? Até hoje não foram explicados à população os motivos do desabamento, mas o pior de tudo é saber que depois de quase 1 ano do ocorrido, o prédio ainda não foi recuperado pela Prefeitura Municipal. Quem não se lembra do telhado da Escola Otácilia (Colégio das Mangueiras) que quase desabou e deixou os alunos várias semanas sem aula até que fosse concluído o reparo? Quem não se lembra da Placa da Cidade que dizia "Bem Vindo a Monte Santo" que desabou depois de um vendaval e depois de mais de 9 meses a mesma ainda não foi recolocada? 

Quem não se lembra da Escola Municipal que foi incendiada no Povoado de Genipapo de Baixo e que encontra-se desde fevereiro em total abandono exatamente como ficou depois do incêndio com estruturas de madeira do teto com riscos de causar acidentes com crianças uma vez que portas e janelas permanecem escancaradas e como esquecer do nosso maior Acervo Histórico e Cultural o Museu do Sertão?

Museu do Sertão à Deriva
Você se lembra do "Museu do Sertão"?
O Museu do Sertão de Monte Santo foi fundado na Gestão do Prefeito Antônio Cordeiro de Andrade (Tota), em 1982,  abrigado no Casarão do final do século XVII, que no passado foi residência do Coronel Galdino Andrade e é um dos poucos do conjunto arquitetônico de Monte Santo, ainda preservado. O prédio passou mais de uma década sem qualquer reforma ou manutenção. Devido a ação do tempo e pela falta de manutenção pelo Poder Público o mesmo veio a ser fechado pois Engenheiros alertaram para a estrutura precária do imóvel que poderia representar riscos  vida dos seus visitantes por suas péssimas condições físicas. Assim, o Museu do Sertão foi fechado para o público com a "promessa" de uma reforma urgente. Infelizmente, passados mais de dois anos da atual Gestão do Prefeito Jorge Andrade, nada foi feito e o povo pergunta a todo tempo e ninguém sabe responder: Onde está o Acervo Histórico e Cultural da nossa história? Para onde foi levado para preservação? Será que ainda se encontra abandonado assim como o prédio correndo o risco de depredação, furto de peças e até de desabamento do prédio com tudo que ali contém? Há relatos de que parte do Acervo foi retirada do local, de forma não oficial a exemplo da famosa “Sanfona Branca” do saudoso Luiz Gonzaga, bem como a “Sanfona de oito baixos” do pai do Gonzagão, Januário. Até hoje não se sabe por quem,com autorização de quem e muito menos o seu destino.
O Acervo a que referimos é composto por uma série de fotografias em preto e branco sobre a Guerra de Canudos, artefatos oriundos do espaço físico onde ocorreu a Guerra, fósseis de animais pré-históricos encontrados na região, rico acervo de cerâmica produzida em diversas comunidades locais, artesanatos de diversas atividades, “ex-votos” (promessas), peças que representam a força da religiosidade popular presente em Monte Santo, obras-primas do artista plástico baiano, Juraci Dórea, mobiliário de valor histórico pertencente às famílias importantes da cidade, dentre tantas outras peças, algumas carentes de restauração, mas onde estão?  
Para piorar a situação em maio de 2014 o Secretário de Cultura do Estado da Bahia Albino Rubim esteve presente junto com sua comissão durante a IV Caravana Cultural e  fez uma visita aos pontos turístico da Cidade, inclusive como pode-se observar nas fotos,  reuniu-se com as autoridades no Salão do Centro de Lazer que meses depois veio a desabar seu telhado e ali correu risco de vida o Secretário e todos que estiveram presentes. Rapidamente o museu foi maqueado e reaberto para atender a esta visita, e logo que o Secretário foi embora o museu voltou a ser fechado.

Segundo relatos, o Secretário fez uma visita a Cidade e dentre as propostas iria conferir as condições para que o Museu do Sertão recebesse o original do Meteorito do Bendegó que hoje está no museu da Cidade do Rio de Janeiro. Um grupo de alunos da Faculdade de Euclides da Cunha solicitou que o monumento original retornasse á sua origem, porém devido às condições precárias de segurança do Museu do Sertão em Monte Santo, não foi possível abrigar a importante peça e Monte Santo por pouco não perdeu o Monumento para a Cidade de Canudos que conta com o Museu do Conselheiro, hoje o maior museu da região. Poucas cidades do interior tem o privilégio de abrigar um museu, "espaço de atualização das memórias individuais e coletivas" e o de Monte Santo, tornou-se uma referência para os turistas interessados em conhecer os aspectos históricos do Município. 

Grupos de visitantes que aqui chegam constantemente, tem voltado frustrados ao se depararem com o Museu com suas portas fechadas, principalmente durante a Semana Santa e a Festa de Todos os Santos. Infelizmente, os Órgãos Públicos competentes do Estado da Bahia não tem dado retorno quanto às perspectivas de sua reforma. Já é de conhecimento do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, da Secretaria de Cultura do Estado, da necessidade urgente de sua reforma. mas diante da falta de posição do Estado, a Prefeitura Municipal poderia tomar uma iniciativa e agir por conta própria e promovendo a reforma do Museu, isto é, do prédio pertencente ao Município que abriga o Acervo referido. Deve o Município, não maquiar novamente, mas realizar uma urgente reforma no prédio, com recursos próprios, já que uma parte da economia da cidade gira em torno do turismo, mas diante a "queda" da estátua de Antônio Conselheiro podemos observar que a Secretaria de Educação e Cultura que hoje detém uma das maiores verbas do Município não pretende fazer nada para impedir a destruição da história do povo montesantense.

Fonte: Montesanto.net