O município de Tucano viveu na tarde desta segunda-feira, 05 de março, um verdadeiro clima de guerra. Mas não se tratava de combate à violência, repressão ao tráfico de drogas ou ação similar, mas ao aparato de segurança que o prefeito Luiz Sérgio (PSD) convocou para garantir a aprovação de um Projeto de Lei de sua autoria e que não conta com o apoio da população.

O projeto prevê a venda e/ou leilão de diversos imóveis públicos, incluindo terrenos e o prédio do antigo e histórico açougue do município, localizado em local central, maior alvo das manifestações. Em audiência pública realizada recentemente, a equipe do governo não convenceu os moradores em relação à destinação do recurso  a ser arrecadado com as negociações futuramente. Mesmo assim, o prefeito decidiu colocar o projeto na pauta em sessão extraordinária e, contando com maioria na câmara, aprovou.

A sessão teve vários momentos tensos. Dentro e do lado de fora, policias da CETO, CIPE/Nordeste e batalhão de Feira de Santana e Euclides da Cunha, além dos policiais militares do município e cerca de 85 homens da guarda municipal controlavam a entrada no espaço e a multidão na frente da Câmara. Segundo moradores, só foi autorizada a entrada de 100 pessoas, controlado por ficha, em um plenário que cabe 300. “Pensei que fosse pra combater a violência da cidade, mas era pra proteger a corja”, protestou Gika Lopes.

Durante a realização da sessão, a polícia militar, que dispunha de armamento inapropriado para este tipo de manifestação, disparou tiros de borracha para o auto e usou spray de pimenta contra moradores. Após a votação, uma multidão de aproximadamente cinco mil pessoas acompanhou o pronunciamento de representantes de movimentos locais e vereadores contrários ao projeto. Em passeata pelas ruas da cidade em direção à casa do prefeito, os manifestantes entoavam “Fora Sérgio!”.
As palavras da professora Maria Firmino traduzem o sentimento da população com o ocorrido. “Eu estava lá! Saí da Câmara atordoada com a indecência, arbitrariedade, irresponsabilidade e frieza dos dez vereadores executando as ordens”, lamentou a tucanense.
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